Fazendo a roda girar


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Amigas e amigos de luta, isto é uma mensagem pessoal, mas como tem tudo com o Movimento Mega,  tomei a liberdade de usar este espaço.

Desde sempre fui um ativista, esta no meu DNA, em 2008 tomei conhecimento do AI5 digital, que renasce agora pelo PLS484/2008, e passei a atuar apaixonadamente pela defesa da Internet, comecei criando uma petição online com um texto produzido por relevantes figuras da Academia, dentre eles Sergio Amadeu, Andre Lemos e Henrique Antoun.

Tal petição chegou a 100 mil assinaturas, tornando-se uma das primeiras ações de ciberativismo no Brasil a tornar-se um fato político, usado por vários parlamentares em nossa defesa. Ao longo deste processo tive a grata surpresa de descobrir que não só existiam outros grupos e indivíduos engajados na mesma causa, destacando-se o brilhante e saudoso Daniel Padua, assim como parlamentares, tomadores de decisão e formadores de opinião igualmente interessados.

Junto com o Daniel criamos o que chamamos de Mega Não, um metamanifesto concatenando diversas ações que ocorriam contra o AI5 digital. O metamanifesto se tornou o nome da luta, apropriado por todos que organizaram seus Mega Nãos ao AI5 digital, não posso deixar de agradecer o Antonio Arles e a Myris Silva pela importante participação nesta construção, mas não sendo injusto ainda teria de incluir os nomes de Juliana Andrade (Jul Pagul), Yaso, Fatima Conti, Mario Brandão, Paulo Rená, João Sérgio, Raphael Tsavkko e muitos outros que juntos fizeram o Mega Não acontencer. No desenrolar deste processo desenvolvemos algumas ações e estratégias que hoje são usadas por muita gente boa, fomos pioneiros, e com certeza já estamos deixando um legado.

Ganhamos a causa, ganhamos o Marco Civil, mesmo perdendo um pouco, e creditamos isto à sociedade organizada e conectada, em se tratando da Internet não poderia ser diferente conectamos ideias e ações em beneficio do comum, somos parte de um belo ecossistema chamado Internet, que por sua vez esta dentro de outro complexo ecossistema chamado planeta.

No primeiro Forum da Internet tive o prazer de trazer para este coletivo o Prêmio Frida que reconheceu o Mega Não como “um projeto que mostra uma destacada atividade à nível público e político para evitar a censura dos conteúdos da Internet”. Fomos reconhecidos internacionalmente, fomos longe, bem longe.

Deste ponto em diante muita gente competente e igualmente apaixonados pela Internet livre, inclusiva, universal e isonômica já estava atuando de forma plural na defesa da rede, uma ação coletiva, pluriliderada numa eficiente evolução da espécie coletiva e cognitiva dentro do ecossistema digital, construindo inteligência coletiva e ação plural.

Paralelamente iniciei uma jornada Internacional pelo IGF de 2011 no Quênia, me tornei membro do NCUC da ICANN, e outros coletivos como o BestBits e o Net Neutrality Coallition. No final de 2014 me tornei Conselheiro da Inciativa NetMundial ao lado de importantes nomes de diferentes stakeholders, e membro do conselho executivo da NCUC.

Os ventos pareciam soprar na direção de que 2015 seria um ano em que poderia focar plenamente nas questões ligadas ao ativismo e à Governança da Internet, uma vez alçadas importantes posições, e com a promessa de financiamento de interessantes projetos como o Neutralidade para Todos, Governança para Todos e o Youth LAC, imaginei que este seria um ano bom, e financeiramente sustentável, permitindo-me dedicar a maior parte do tempo à estas questões. Para quem não sabe, o Movimento Mega não tem nenhum aporte financeiro, e todos que atuam por aqui e/ou em nosso nome, o fazem por conta própria.

Infelizmente ou felizmente, afinal nada acontece por acaso, ou na filosofia chinesa do Yin e Yang, sempre existem oportunidades nas adversidades, na última hora tive uma má noticia de um dos grandes financiadores e esta semana o ultimo suspiro se foi, quando minha aplicação de micro bolsa não foi contemplado. Frente à este cenário e à urgência pessoal em sustentabilidade financeira, decidi tomar algumas decisões que estava de fato adiando para que ela chegasse ao ponto de afetar somente a mim, sem desequilibro do ecossistema do qual faço parte.

Sendo assim, decidi que não quero mais ser o protagonista do Movimento Mega, que deve ser assumido e evoluído por novos e plurais atores, rumo à novos desafios, me contento em ajudar nos bastidores, como pretendo atuar daqui pra frente. Hoje saio do ativismo, mas o ativista jamais sairá de mim, espero que esta transição se dê até o final do ano, estarei aqui para ajudar. Não estarei mais envolvido diretamente em campanhas, poderei estar envolvido nos bastidores, preciso de dedicar a maior parte do tempo à mim e à minha família.

Obrigado à todos que sempre acreditaram em mim e nas nossas causas, espero poder ver o futuro que sempre sonhamos se tornando realidade e de alguma forma ajudar nesta tarefa.

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